domingo, 20 de maio de 2007

Miedo

O medo é o tema desse meu post. Hoje à noite fui arrebatada por um medo, não um medo de algo desconhecido, mas de algo bem conhecido para mim. Algo pelo qual nunca gostaria de passar novamente, embora saiba que isso não está sob o meu controle. É um post meio baixo astral, aqueles que tipo, numa conversa alguém sempre diz ... não vamos começar a falar sobre isso. E entre esses temas tabus, que sempre estragam um bom momento, estão: política (ultimamente tem sido o recordista!), doença, acidentes, morte ...! Este último é o "grande" tema, talvez o mais proibido entre todos. Mas o fato é que ele também é o mais palpável. Quem nunca perdeu alguém? Perder? Será essa a expressão mais correta? Acho que a mais coerente com o que sentimos nesse trágico momento é: Quem nunca teve alguém roubado furtivamente do seu convívio? Puta merda! A morte não é somente aquele figurinha de preto com uma foice ... é bem mais assustadora! Ela é a possibilidade sempre constante da ausência de alguém, ou dos outros para nós. É o vazio, é o desconhecido, é a solidão (a mais profunda). A solidão de quem vai e de quem fica!
Nossa que dia estranho! Amanheceu! O céu era o mesmo do dia anterior, embora aparentemente mais cinzento; o programa de rádio estava no ar, normalmente; da cozinha vinha um cheirinho de café! Tudo parecia igual a todos os dias, se não fosse pela presença da ausência. Uma ausência tão presente que parecia ter-se personificado. Ela estava ali, através de seu cheiro ainda forte nas roupas; nas suas agulhas de costura; nas costuras ainda inacabadas; no livro de receita aberto e marcado em uma receita para ser feita para um sobrinho que veio fazer vestibular naquele final de semana! Tudo aquilo estava ali e não faziam mais sentido, quem iria fazê-los não estava mais presente.
É desse medo que estou falando. A morte é uma merda do caralho!
Já falei num post anterior sobre o meu medo de perder meu pai. Fui vê-lo hoje, e apesar de ele estar melhor do que o fez ir para o hospital na semana passada, ele estava fragilizado: falta de ar e com as pernas e braços inchados ... e eu? O que podia fazer para aliviar aquela sua sensação? Essa sim era minha vontade. Mas não podia fazer nada, além de prender o choro e falar de forma mais rude com ele sobre a ida ao médico no dia seguinte.
Isso tudo tem me deixado extremamente sensibilizada e profundamente triste. Tenho perdido o apetite! A falta de competência para aliviar e fazer com que meu paizinho esteja livre de qualquer coisa que o faça sofrer. Tô muito assustada mesmo!
É que nem numa música de Lenine ... "miedo, que dá miedo do miedo que dá".
Agora tô mais aliviada ...

3 comentários:

Anônimo disse...

medo dá barriga
:/
é verdade!

Rosazulis disse...

Tô fudida então!

Anônimo disse...

e eu ?
medrosa da porra!
kkkk