Sofia nasceu em plena noite de lua cheia, numa madrugada fria e estrelada. Não é à toa que é chamada de filha da Lua! O frio daquela noite contrastava com o calor que recebera das pessoas que a cercavam no momento em que, pela primeira vez, reconhecera os donos das vozes que por vezes a acalentaram. Vozes doces e tranquilas. Foi muito amada! Muito desejada!
A sua pele alva, a sua suavidade e mistério envolviam a todos, o que provocava uma ligação explícita com a sua mater. Linda, misteriosa e só! Essa era Sofia. Por vezes, imaginava ser um anjo, mas no fundo sabia que isso não passava de mero alento para sua alma desejante de contato. Os seres etéreos são tão sós, triste constatação. No entanto fascinantes e se percebe que gostam de ser assim: sós e fascinantes!
Sofia, tal qual um ser etéreo, passou a apreciar essa solidão. Satisfazia-se com contatos que a deixassem numa posição de aparente vantagem, embora sempre velado por um altruísmo incomensurável. A covardia e o medo de si próprio eram pontos que somente Sofia sabia! E claro, seres etéreos como ela, aqueles que um dia cruzaram o seu caminho. Estes percebiam! Mas tudo ficava em segredo, pois havia um acordo tácito de que, nessas situações, cabia somente um olhar cúmplice.
Apreciava mesmo, gozar dos momentos em que se permitia descobrir-se sem tabus! Acalentava e acolhia essas descobertas, sempre se surpreendendo com os variados encontros com o outro, NELA. Encantava-se com o devir e com a sua capacidade de resgatar todos os eus que existiam, NELA. E nesse momento pensava: "Não há solidão". Na verdade, nunca ficou só. Sofia carregava tantos encontros que às vezes confundia-se naquele caos. Tornava-se mesmo muito difícil distinguir-se no meio daquela multidão. Apesar disso, era a situação na qual se sentia mais confortável, mais protegida. Mas claro que Sofia se permitia encontros com os seres comuns, por ela chamados, seres vulgares.
Destes ela escolhia o que oferecer e o que receber de volta. Sim! Sofia deixava explícito que as relações se bastam em trocas. Nada mais que isso! Às vezes ficava triste, mas depois percebia que sempre tinha algo a dá, e sempre estava em busca de algo. Isso é que a fazia insistir em alguns vulgos até a sua total escassez, até o completo esgotamento de oferta e de procura. No final, cada encontro teria valido a pena!
Da relação com os seres vulgares, Sofia resgatava a sua origem humana e mantinha a sua característica híbrida. Na verdade, eram eles, os vulgos, que preenchiam o seu mundo e lhe davam conteúdos para quando hibernasse. Eles eram a garantia de sua companhia, na verdade, eram a sua companhia.
Eu, simples ausente dessa narrativa, apenas observo Sofia ao longe. Nunca havia conhecido alguém tão intrigante e tão, tão fascinante como ela. Olhar adocicado; pele de um alvor, tal qual brancos lenços; movimentos entorpecedores; lábios rosados e levemente molhados, dos quais escapavam sons hipnóticos.
A sua pele alva, a sua suavidade e mistério envolviam a todos, o que provocava uma ligação explícita com a sua mater. Linda, misteriosa e só! Essa era Sofia. Por vezes, imaginava ser um anjo, mas no fundo sabia que isso não passava de mero alento para sua alma desejante de contato. Os seres etéreos são tão sós, triste constatação. No entanto fascinantes e se percebe que gostam de ser assim: sós e fascinantes!
Sofia, tal qual um ser etéreo, passou a apreciar essa solidão. Satisfazia-se com contatos que a deixassem numa posição de aparente vantagem, embora sempre velado por um altruísmo incomensurável. A covardia e o medo de si próprio eram pontos que somente Sofia sabia! E claro, seres etéreos como ela, aqueles que um dia cruzaram o seu caminho. Estes percebiam! Mas tudo ficava em segredo, pois havia um acordo tácito de que, nessas situações, cabia somente um olhar cúmplice.
Apreciava mesmo, gozar dos momentos em que se permitia descobrir-se sem tabus! Acalentava e acolhia essas descobertas, sempre se surpreendendo com os variados encontros com o outro, NELA. Encantava-se com o devir e com a sua capacidade de resgatar todos os eus que existiam, NELA. E nesse momento pensava: "Não há solidão". Na verdade, nunca ficou só. Sofia carregava tantos encontros que às vezes confundia-se naquele caos. Tornava-se mesmo muito difícil distinguir-se no meio daquela multidão. Apesar disso, era a situação na qual se sentia mais confortável, mais protegida. Mas claro que Sofia se permitia encontros com os seres comuns, por ela chamados, seres vulgares.
Destes ela escolhia o que oferecer e o que receber de volta. Sim! Sofia deixava explícito que as relações se bastam em trocas. Nada mais que isso! Às vezes ficava triste, mas depois percebia que sempre tinha algo a dá, e sempre estava em busca de algo. Isso é que a fazia insistir em alguns vulgos até a sua total escassez, até o completo esgotamento de oferta e de procura. No final, cada encontro teria valido a pena!
Da relação com os seres vulgares, Sofia resgatava a sua origem humana e mantinha a sua característica híbrida. Na verdade, eram eles, os vulgos, que preenchiam o seu mundo e lhe davam conteúdos para quando hibernasse. Eles eram a garantia de sua companhia, na verdade, eram a sua companhia.
Eu, simples ausente dessa narrativa, apenas observo Sofia ao longe. Nunca havia conhecido alguém tão intrigante e tão, tão fascinante como ela. Olhar adocicado; pele de um alvor, tal qual brancos lenços; movimentos entorpecedores; lábios rosados e levemente molhados, dos quais escapavam sons hipnóticos.
Sofia não era, Sofia é!
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