segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Quando foi que me perdi

Não sei ao certo se algum dia me encontrei. Sei que desde que nasci, morro a cada dia, a cada dia habita em mim um ser diferente e desconhecido. Não me reconheço em certas conversas ou quando sinto algo, mas tento me definir, também, a partir de opiniões alheias. Pergunto-me o que seria mais real, mais fidedigno, mas o espelho através do qual o outro me serve não me deixa ver de forma límpida, pura. Nesses contatos, e são tantos, tal como diz o poeta, deixamos um pouco de nós e levamos um pouco do outro. Alguns, portanto, devem levar mais dos outros do que entregar algo de si. A entrega exige confiança! Não me refiro à entrega de corpo, essa é a mais fácil. Levada simplesmente por instinto, cheiros ... gostosa também! Mas a entrega da alma. Às vezes, encontramos pessoas vazias, sem alma ... (tente lembrar de alguém!). Elas existem sim e te sugam, te chupam até conseguir arrancar o fluido mais sepulcral. Prefiro aquelas que oferecem uma troca e que as fazem pra sempre um pouco delas e que te deixam penetra-las também. Assim é que me encontro!

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